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O Amor nos Transforma

o amor nos transforma

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O amor nos move a agir de forma a beneficiar outro. Somente o amor é capaz de nos mover para o bem alheio e não para o nosso próprio bem.

Nossa natureza é de cuidarmos de nós mesmos, de zelar pela nossa sobrevivência. Trabalhando para adquirir bens e coisas para o nosso prazer e conforto.

No entanto, quando amamos, soltamos um parafuso. E a engrenagem da sobrevivência individual para de girar. Ela dá lugar a um outro sistema de funcionamento em nossa mente, onde a sobrevivência e a felicidade de quem amamos é tão importante quanto a nossa.

O amor tem o poder de nos fazer servos, ou escravos mesmo, de quem amamos. Mas como assim escravos? Sim, passamos a servir continuamente quem amamos, sem exigir nada em troca, sem pagamentos. O bem do outro é a recompensa.

Pensando friamente, isso é anti-existência própria. Mas não. A reciprocidade do amor é que pode ser direta ou indireta. Como? Direta, quando quem amamos nos ama e é capaz de cuidar de nós da mesma forma como cuidamos dele.

Indiretamente, quando quem amamos é incapaz de cuidar de nós, seja por ser criança em idade ou em maturidade. Nesse ponto, recebemos do Eterno a recompensa por esse amor e pelo trabalho que foi produzido por ele.

No velho testamento, no livro de Deuteronômio, no qual toda a Lei de Deus é revista, há uma parte específica para tratar dos direitos dos escravos.

É interessante que os escravos, após sete anos de servidão, deveriam ser libertos. Mas se esse escravo amasse seu senhor e quisesse permanecer com ele, havia uma alternativa: furar a orelha e marcá-la. O dono aceitava o servo-livre e o servo continuava com o dono por escolha.

Quando nos casamos, furamos nossas orelhas. Quando somos pais e mães, também. Quando fazemos laços profundos de amizade, também furamos nossas orelhas. Passamos a servir quem amamos, de coração livre. Desejamos estar perto e ver quem amamos bem. Isso nos move dia após dia.

O amor nos faz trabalhar em benefício do outro e isso nos beneficia também. Somos felizes assim. Quanto mais nos alegramos juntos, quanto mais compartilhamos dificuldades e vitórias, mais fortes são nossos laços de amor, mais felizes somos, independente da circunstância.

É uma imaturidade, ou até mesmo uma loucura, desejar o amor para ser servido por alguém. “ Desejo alguém que me faça feliz…” “Desejo alguém que me ajude…” “Desejo alguém que me complete…” Esses pensamentos vêm em nossa cabeça, mas quando o amor verdadeiro acontece em nós, nós é quem servimos.

A gente é que ajuda o outro, e se esforça para completar o que falta nele. A maturidade do amor não está no meu bem-estar. Está sim no bem-estar do outro. É a reciprocidade desse sentimento que faz a magia do amor acontecer. Pois quando o outro se preocupa com você na mesma medida em que você se preocupa com ele, os dois são um.

A comunicação é importantíssima em tudo, inclusive no amor. Pois, às vezes não entendemos a atitude do outro. O que é muito comum entre pais e filhos adolescentes, namoros e casamentos no começo.

Por não entender a atitude, às vezes não nos sentimos amados, ou pior, sentimos que o nosso amor não é correspondido. Comunicar ajuda o outro a entender o que você faz por ele, e a você, a compreender o que ele faz por você.

A mão dupla do amor é fundamental. Por isso, desejar que “alguém te faça feliz” não é o caminho certo para a felicidade. Você deve desejar fazer esse alguém feliz também. Os dois se esforçam um pelo outro. Sejam pais e filhos, sejam namorados, sejam marido e mulher, seja no trabalho.

É servindo que demonstramos verdadeiramente o nosso amor. E precisamos aprender a ver o amor do outro quando ele faz por nós pequenos ou grandes esforços. Não somente nas declarações e presentes em datas marcadas. Mas no dia a dia, na reciprocidade da servidão livre, é que alimentamos o amor. Para que ele nunca acabe.

Por Dra Fernanda Santos
@drafernanda.santos

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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