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Uma manhã de esperança com o Padre Júlio Lancellotti

Padre Júlio Lancellotti

Foto: Rizzia Froes

Eram 7h30 de um domingo quando chegamos na paróquia da Igreja São Miguel Arcanjo, da rua Taquaril, no Bairro da Mooca, em São Paulo, para conversarmos com o Padre Júlio Lancellotti.

Mas quando chegamos já havia voluntários, fotógrafos e as doações devidamente separadas para seguirmos para o Núcleo de Convivência São Martinho de Lima, espaço que surgiu em fevereiro de 1990 com o objetivo de criar referenciais à população em situação de rua, por meio da construção de relações afetivas e de espaços de convivência, localizado, no bairro Belém, na Zona Leste da capital paulista.

Confesso que esperávamos um padre “pop star”, um artista mesmo. Mas, para a nossa surpresa, o que encontramos foi um homem totalmente focado e concentrado em sua missão. Assim, após conversarmos por alguns minutos, ele mesmo se incumbiu de pegar o carrinho de supermercado cheio de sanduíches e liderar a marcha até o núcleo onde o café da manhã seria servido.

Foto: Rizzia Fróes

Chegando lá, cerca de 500 moradores de rua e pessoas em vulnerabilidade social já o aguardavam.

Fazia frio em São Paulo, então, além do café da manhã, também foram distribuídos toucas, meias, kits de higiene e cachecol. Havia também um grupo de artistas que não parava de tocar para a alegria de todos. Padre Júlio cumprimentava a todos que entravam, sempre junto ao seu celular. Percebemos que muitos que ali estavam já eram velhos conhecidos do padre.

Padre Júlio Lancellotti se dedica à população de rua de São Paulo desde 1985, mas está constantemente ao lado de líderes de outras religiões, do movimento LGBTQIA+ e destaca que tudo o que faz é em nome da Igreja Católica. Ele quer estar do lado que Jesus queria que ele estivesse. Além do trabalho com moradores de rua, o padre criou, em 1991, a “Casa Vida” que abriga crianças e adolescentes que precisam de tratamento por conta do HIV.

Dessa forma, seu trabalho durante a pandemia do Covid-19 foi de suma importância e ganhou muito destaque por conta de seus esforços, como a distribuição de alimentos na cracolândia e quando retirou, a marretadas, os paralelepidos que a prefeitura de São Paulo instalou embaixo dos viadutos para impedir que moradores de rua dormissem no local.

O inacreditável é que sua atuação incomodou muita gente, incluíndo políticos. O padre está sempre sofrendo ameaças, mas conta com o apoio da igreja católica para que siga cumprindo sua missão junto aos mais vulneráveis.

No entanto, Padre Júlio Lancellotti é incansável e, aos 72 anos, não pensa em parar, ele acredita que seu trabalho seja uma missão. Sejamos francos, quando estamos perto dele, temos a certeza disso.

Foto: Rizzia Fróes

Um dos seus voluntários, Guilherme Moura Brito, que o acompanha frequentemente, está preparando um livro sobre a historia de luta do padre durante a pandemia.

Aquela manhã acompanhando o padre Júlio Lancellotti em sua missão com a população em situação de rua em São Paulo foi, sem dúvida nenhuma, muito importante para aquelas pessoas. Ter a oportunidade de vê-lo em ação foi um privilégio.

Muita força e saúde ao padre que pratica, como tem que ser, a religião e o amor ao próximo!

Por Rizzia Froes
@rizziafroes

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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