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Os efeitos da positividade tóxica para a maternidade real

positividade tóxica para a maternidade real

Foto: iStock

Maternidade real
A internet, em especial as redes sociais, estão cercadas de imagens de famílias felizes, mães que deram à luz a pouco tempo e que em menos de dois meses de pós-parto já perderam 10 quilos ou mais e exibem barrigas chapadas. São mulheres que acertam a pega do bebê para amamentar sem muita dificuldade e estão lindas, como se não vivessem a realidade do puerpério. Acho válido todo e qualquer esforço para manter o autocuidado com a saúde e a aparência depois de nos tornarmos mães, mas é preciso ter bom senso com a imagem que vendemos nas redes sociais, como se a maternidade não fosse um turbilhão de mudanças físicas e emocionais em nossas vidas.

Muitos casais e especialmente as mães, estão se perdendo por achar que a grama do vizinho é mais verde e basear a felicidade do outro somente em uma parcela do que é mostrado nas redes sociais. Ninguém quer falar da parte difícil e desafiadora da maternidade, da barriga que insiste em ficar apesar do bebê já estar fora dela, da olheira, do cansaço. A vida nas redes sociais é uma eterna propaganda de margarina e o “good vibes only” não existe. Não estou negando que manter a positividade seja algo bom, o que não acredito é que somos assim 100% do tempo. Ninguém é. Tudo na vida são momentos e é natural que as pessoas não queiram expor suas fraquezas, suas dificuldades e aqueles dias em que nem tudo vai tão bem como a gente gostaria que fosse. Porém, o cuidado com o que expomos deve existir, afinal, as redes sociais são ferramentas poderosas que influenciam toda uma forma de vida: comportamentos, modo de pensar, o que vestir, onde ir, o que comer, o que fazer para ser feliz, ter sucesso, dinheiro…parece que todo mundo tem uma receita de bolo pra passar com um ingrediente especial que faz toda a diferença para o sucesso de uma vida plena e feliz após a maternidade.

No meio do caminho, entre os desacertos, as noites de sono interrompidas, a falta de tempo para si; é ali que está o que realmente importa e as vezes não enxergamos por estarmos em busca de uma vida perfeita demais. É entre o cansaço que seu filho vai descobrir algo novo, é quando você quer dormir e precisa dar atenção para ele (a) por ter ficado o dia inteiro fora; que vai encontrar calmaria, em uma brincadeira simples, no abraço mais sincero e afetuoso. Eu também não aguento mais ouvir a mesma música o tempo inteiro e ver o mesmo desenho animado, mas não me canso de ver aquela vibração por já saber que está chegando o trecho predileto da canção ou a cena mais engraçada do desenho. Esses são os momentos que precisamos estar atentos, é ali que está aquele momento da família feliz da propaganda e é quando estamos verdadeiramente entregues ao que faz sentido pra nós; Vivenciando o que nenhum post consegue externalizar.

Tag: Maternidade real

Por Ana Vitória Lopes
@analopesjornalista

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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