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Precisamos aprender a dizer “Não”

Precisamos aprender a dizer “Não”

Foto: iStock

Aprender a dizer “não” é algo recente na minha vida, mas percebi que delegar e dizer “não” são atitudes que se completam e nos libertam.

Temos uma rotina de vida e trabalho estabelecidas e consciência das mudanças que irão surgir por conta dos filhos. Não, nós não temos consciência das mudanças.

A maioria de nós, por um ou outro motivo acumula funções sem perceber e com a chegada de um bebê, ao invés de delegar, deixar para depois ou por um tempo entender e aceitar que uma ou outra atividade não serão mais possíveis de serem executadas da mesma maneira que eram feitas antes de nos tornarmos mães; o que fazemos é o contrário.

Continuamos a acumular funções e a querer dar conta de tudo. Vivo isso desde antes de ser mãe e frases como “eu resolvo” ou “vou fazer” são ditas quase que no modo automático.

E assim, coloco mais uma pendência no meu dia, empurro para o próximo e sigo tentando descobrir como render 48h em 24h e ainda terminar o dia bonita, disposta, com a mesa do jantar tão linda e variada como aquela que vi passando no feed da blogueira famosa e de banho tomado.

O resultado disso é frustração, sobrecarga e estresse. Uma salada mista de sentimentos tóxicos que em excesso, podem nos adoecer física e mentalmente.

Com a pandemia, a sobrecarga e o estresse potencializaram seus efeitos colaterais, especialmente nas mães. Senti isso na pele em 2020, com uma bebê que ainda não tinha completado 1 ano de vida.

Um belo dia acordei e meu corpo estava em pane: mãos formigando e trêmulas, visão turva, palpitações, dor de cabeça e fraca o suficiente para não conseguir segurar minha filha no colo. Covid? Infarto? Não, crise de ansiedade.

O diagnóstico foi dado em consultório médico após realizar exames laboratoriais e clínicos. Naquele momento percebi que eu precisava me conectar mais com o momento que estava vivendo e escolher melhor minhas causas.

Sofrer porque a casa não está impecável como antes, porque a louça do jantar ficou na pia para ser lavada no dia seguinte ou porque deixei qualquer outra atividade para depois não pode ser mais importante do que o meu bem-estar e o bem-estar da minha família.

Ali eu aprendi a delegar e se não tiver quem faça por mim, vai ficar para depois. Aprender a dizer “não” é algo recente na minha vida, mas percebi que delegar e dizer “não” são atitudes que se completam e nos libertam.

O cansaço físico não termina, mas o alívio começa a aparecer, o que, consequentemente, nos deixa mais dispostas para outras atividades e uma delas é abrir a mente, colocar a criatividade em prática.

Meu maior medo depois de ser mãe era de nunca mais encontrar as portas do mercado de trabalho abertas para mim. Empreendi por 10 anos em uma área que não possui relação com a minha formação, fui muito feliz mas abri mão por não poder conciliar a atividade com a vida de mãe; já que eu trabalhava sozinha.

No mês seguinte veio a pandemia. Eu, mãe, com uma bebê de cinco meses em casa e aí é que as perspectivas de trabalho na área de comunicação pareciam mais distantes ainda. Bom, não seria o problema, poderia empreender novamente em outra área. Mas o que eu queria mesmo era voltar a me encontrar profissionalmente, fazendo aquilo que mais gosto: escrever, contar histórias e despertar emoções através das palavras. E consegui!

E qual a relação entre aprender a dizer “não”, tema do artigo de hoje, com mercado de trabalho? Quando nos permitimos ocupar nosso tempo com aquilo que realmente importa, tudo funciona melhor: nossas ideias, nosso humor, nosso corpo e nossa vontade de seguir adiante com os nossos sonhos e projetos.

Quando escolhemos nossas causas e paramos de sofrer porque a cama está desarrumada ou esquecemos de estender a roupa que ficou na máquina de lavar, damos espaço na nossa mente para o tudo aquilo que tem sentido e valor, para o que nos completa e faz com que possamos colocar para fora o melhor de nós.

Por Ana Vitória Lopes
@analopesjornalista

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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