Mundo Ela

A alimentação na endometriose

endometriose

Foto: Andrea Piacquadio | Pexels

A endometriose é uma das doenças ginecológicas mais prevalentes, afetando de seis a 10% das mulheres em idade reprodutiva. É caracterizada pela presença de endométrio fora da cavidade uterina.

Mulheres com endometriose podem apresentar dor associada à menstruação e relação sexual, desconforto ao urinar, aumento da inflamação e, em casos mais graves, infertilidade.

Apesar de recorrente, a endometriose ainda é uma doença cercada de mistérios – não se sabe exatamente as razões para o seu surgimento e, por isso mesmo, não há cura.

Em relação aos alimentos, não podemos dizer que eles estejam envolvidos na causa, mas sim que existe uma relação entre a alimentação e a endometriose.

A inflamação desempenha papel fundamental na sua fisiopatologia, por isso é importante ter uma alimentação anti-inflamatória e antioxidante para o alívio dos sintomas! Estudos revelaram que frutas, vegetais, e ômega-3 estão relacionados ao menor risco de desenvolver endometriose.

Os fatores que aumentam o risco incluem os ácidos graxos trans, excesso de gorduras, carne vermelha, embutidos e álcool. Todos os nutrientes que se mostraram eficazes tiveram ações anti-inflamatórias ou antioxidantes. Por esse motivo, recomenda-se uma dieta balanceada e anti-inflamatória, rica em antioxidantes e controle no consumo de álcool. O álcool é extremamente inflamatório, difícil de absorver para o fígado e um gatilho para desencadear a dor.

Dietas como a mediterrânea, vegana, vegetariana e Plant based, são bem-vindas pelo seu perfil anti-inflamatório. ‘Plant based’ se refere à dieta à base de vegetais e ainda é bastante utilizado no idioma original, em vez do português (‘baseado em plantas’). Essa dieta se baseia em consumir mais vegetais e alimentos minimamente processados, evitando produtos de origem animal e alimentos industrializados.

Estudos mostram que mulheres que consomem muita carne vermelha podem ter até 56% mais risco de desenvolver endometriose, além de que seu consumo também está associado a piora nos sintomas. A gordura trans (aquelas encontradas em alimentos industrializados e frituras) são associadas a maiores níveis de inflamação e, como consequência, também pioram os sintomas da doença.

Outros alimentos que devem ter o consumo reduzido para diminuir a inflamação são os carboidratos refinados e glúten.

A cafeína ainda está sendo estudada, mas também pode aumentar a dor assim como os sintomas de TPM. Apesar de ainda não se terem conclusões a respeito, vale considerar eliminar o café, refrigerantes, bebidas energéticas, chá preto, chocolate e outras fontes de cafeína durante um mês e veja como se sente.

Existem também algumas substâncias que podem ser encontradas nos alimentos devido ao processo de armazenamento, como o bisfenol, que têm relação com a endometriose. Os compostos químicos presentes nos agrotóxicos, nas embalagens plásticas, nos corantes e nos conservantes são xenobióticos (do grego “xeno = estranho” e“bio = vida” são compostos químicos estranhos ao organismo humano) que acabamos consumindo indiretamente através dos alimentos. Essas toxinas ambientais, como o bisfenol e tantos outros não são reconhecidas pelo nosso corpo, já que não são nutrientes. Quando consumidos em excesso, eles se acumulam no organismo e afetam o sistema endócrino (responsável pela produção hormonal) da mulher. Por isso, o ideal para a portadora de endometriose é consumir vegetais orgânicos e guardar os alimentos em casa em embalagens de vidro.

Nutrientes importantes para incluir na alimentação

Esses nutrientes não podem ser esquecidos na rotina alimentar da mulher que tem endometriose. É importante estarem presentes todos os dias! São eles:

Vitamina D:

A vitamina D pode diminuir a proliferação de fatores inflamatórios em mulheres com endometriose e a suplementação dessa vitamina pode levar a mudanças significativas na dor pélvica. O consumo de alimentos ricos em vitamina D não é suficiente para suprir as necessidades diárias dessa vitamina e, por isso, é importante que a pessoa seja exposta à luz solar diariamente para manter uma produção adequada desta vitamina no organismo e, no caso de não ser suficiente, é indicada a suplementação da vitamina.

Ômega-3:

O ômega-3 tem um papel antioxidante e antiinflamatório importante. Estudos mostram que esse nutriente é capaz de reduzir o tamanho das lesões e produção local de citocinas inflamatórias, que são responsáveis por aumentar a sensação de dor (cólicas). Podemos encontrá-lo na sardinha, no arenque, no salmão, no atum, nas sementes de chia e linhaça e nas nozes.

Magnésio:

Os estrogênios diminuem os níveis séricos de magnésio, resultando no aumento da captação no tecido ósseo e reduzindo os níveis de magnésio nos outros tecidos. Por isso, inclua no dia a dia alimentos como: arroz integral, grão de bico, feijão preto, castanha do pará, ervilha, espinafre, aveia, nozes, abacate, amêndoas e sementes de abóbora.

Vitamina A:

A vitamina A é capaz de suprimir a expressão de citosinas inflamatórias. Inclua na alimentação: leite, gema de ovo, vegetais folhosos verde-escuros (como espinafre, couve, mostarda), abóbora, cenoura e frutas amarelas/ alaranjadas (como manga, caju, caqui, mamão).

Atenção especial para o intestino

Cuidar do funcionamento intestinal é fundamental para as mulheres com endometriose, porque muitas delas apresentam sintomas gastrointestinais como constipação, gases e episódios de diarreia. As fibras solúveis são importantes para manter os alimentos em movimento no intestino e ajudar o corpo a expelir as hormonas em excesso. Alimentos tais como maçãs, pêras, ameixas, leguminosas (deixados adequadamente de remolho), cereais integrais, frutos cítricos, sementes de chia ou linhaça moídas ou psyllium são boas fontes de fibras solúveis. A hidratação é fundamental e em alguns casos específicos e sob orientação, são sugeridos a retirada do glúten e da lactose, a suplementação das “gorduras boas”, assim como o uso de probióticos para promover uma flora intestinal mais saudável.

Para ter uma orientação mais eficaz e individualizada, é sempre recomendável buscar um profissional! Incorporar essas mudanças alimentares na vida quotidiana demanda esforço, mas sem dúvidas de que os resultados compensam!

Por Sara Morandi
@saramorandi

Leia também:

Telemedicina e Tele consulta. Você sabe o que é?

Aspectos do mapa astral

Pão de queijo fit

O Amor nos Transforma


** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments