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Alimentação x Fertilidade

Alimentação x fertilidade

Foto de Nataliya Vaitkevich no Pexels

Alimentação x Fertilidade: Esse tema agrada aos futuros papais e mamães, mas, até mesmo aqueles que já tiveram filhos ou que nem pensam nisso vão se surpreender com a importância que a alimentação tem na nossa saúde, inclusive influenciar no processo de gerar outros seres humanos.

A dificuldade ou até mesmo a incapacidade para gerar filhos pode afetar a vida de diversos casais, levando a alterações emocionais indesejáveis como estresse, angústia, ansiedade e depressão. Clinicamente a infertilidade é caracterizada pela falha de se conseguir uma gravidez de sucesso após 12 meses ou mais de relação sexual regular sem uso de métodos contraceptivos. No mundo ela atinge cerca de 15% dos casais em idade reprodutiva.

Muitas vezes são feitos diversos exames que não encontram nenhum motivo aparente ou problema crônico de infertilidade. Hoje já se sabe através de pesquisas científicas que apesar de estar tudo “normal”, existem uma série de causas que levam a dificuldade em engravidar.

Embora o fator que mais afete negativamente a fertilidade seja a idade avançada das mulheres na época da concepção, outros fatores desempenham papel crucial, como condições genéticas, fisiológicas, sociais, culturais e ambientais, com destaque para a alimentação e desordens associadas a ela, como disbiose (desequilíbrio da flora bacteriana intestinal) crônica, sensibilidades e alergias alimentares, o excesso de metais tóxicos, fadiga mitocondrial e por último, mas também muito importante, a obesidade.

O excesso de peso está atrelado a diversas alterações metabólicas e a desordens reprodutivas em ambos os sexos. Isso é especialmente preocupante dado a alta prevalência de excesso de peso entre homens e mulheres em idade reprodutiva. Vários são os motivos relacionados a obesidade e a infertilidade. Mas, de uma forma geral, tanto mulheres quanto homens obesos sofrem de um aumento da resposta inflamatória e do estresse oxidativo no organismo, o que pode gerar alterações na função reprodutiva. Não somente os obesos, mas aquelas pessoas que se alimentam mal ou que sofrem um ritmo de vida estressante podem também apresentar essas alterações e consequentemente terem dificuldade para gerar filhos. É claro que cada caso é um caso e isso deve ser avaliado juntamente com seu médico. Mas, de um modo geral, a nutrição adequada pode melhorar sua saúde reprodutiva.

Pesquisadores da Harvard Medical School e Harvard T.H. Chan School of Public Health publicaram uma revisão de estudos que mostraram o impacto da dieta na fertilidade. De acordo com eles, quem deseja engravidar precisa manter uma dieta saudável e introduzir alimentos com ácido fólico, vitamina B12, ômega 3, entre outros nutrientes. Reforçaram também que é necessário ficar longe de doces, processados, gordura trans, entre outros alimentos. Essas mudanças na alimentação vão deixar o casal mais saudável e, consequentemente, aumentam as chances de gravidez.

Primeiramente é preciso entender que a má alimentação, ou seja, rica em gorduras saturadas e trans, com muitos alimentos industrializados, com consumo alto de alimentos de origem animal e baixo em vegetais, gera estresse no nosso organismo. Esse estresse é devido à ausência de componentes protetores, como aqueles presentes nos vegetais. Por isso os nutricionistas recomendam que se tenha uma alimentação variada e bem colorida, para obter maior aporte de vitaminas, minerais e outros compostos protetores que uma alimentação balanceada proporciona. Então, esse estresse gerado pelos maus costumes alimentares pode ser combatido com a presença de muitas frutas, verduras, legumes, chás, castanhas, entre outros. Tais alimentos ajudam a “desenferrujar” o organismo. Isso mesmo, desenferrujar! Esse termo exemplifica bem o que acontece com o nosso organismo. Quando uma máquina fica exposta às agressões ambientais ela enferruja. Seguindo esse raciocínio, nosso corpo também enferruja e nós chamamos isso de estresse oxidativo.

Agora que você já entendeu que alimentação é essencial para o nosso estado de saúde, reflita: faz sentido um organismo gerar um ser humano, sendo que esse organismo está doente, ou melhor dizendo, enferrujado?

Nosso organismo “pensa” mais ou menos dessa forma. Para evitar uma gravidez pouco saudável ele, por exemplo, diminui nossas células reprodutivas e afeta nossos hormônios.

Deve-se levar em conta a importância da ingestão adequada de nutrientes essenciais ao funcionamento celular. Tanto os óvulos quanto os espermatozoides são células especiais que precisam estar adequadas.

Então a pergunta é: o que podemos fazer para minimizar os efeitos de uma alimentação ruim e de um estilo de vida pouco saudável?

Você pode começar agora a se alimentar melhor. Alguns alimentos não podem faltar na lista de compras de quem quer melhorar a fertilidade ou mesmo as pessoas que querem combater o estresse oxidativo e a resposta inflamatória gerada no organismo em decorrência de várias doenças. Tais alimentos são por exemplo: peixes (como atum, sardinha, salmão, arenque, cavala); frutas e verduras de todas as cores (como roxo, vermelho, amarelo, laranja, verde escuro); iogurte naturais; oleaginosas (como a castanha do pará, castanha de caju, amêndoas, nozes, macadâmia); o azeite de oliva extravirgem e a aveia.

Foto: Freepik

Deve-se também dar preferência para os pães e cereais na sua versão integral. Segundo o estudo de Harvard já citado, alimentos integrais possuem IG (índice glicêmico) bem menor que alimentos processados ou derivados desses. Esse parâmetro avalia a velocidade com que um alimento é absorvido pelo organismo. Trocando em miúdos, quanto maior o IG, mais acentuados serão os picos de insulina e, consequentemente, o desequilíbrio hormonal. Mulheres participantes do estudo com IG alto apresentaram 92% mais dificuldades em engravidar comparadas às que comiam alimentos integrais.

Por fim, é importante manter um estilo de vida ativo, praticando exercícios físicos regularmente. Seguindo essa “receita” as chances de termos saúde aumentam muito! Se seguir tudo isso é difícil para você comece com pequenas metas como por exemplo: começar a ingerir três frutas diariamente. Depois, quando alcançar essa meta, você vai para a próxima: inserir duas porções de legumes e verduras por dia. Depois você troca o seu iogurte adoçado pelo iogurte natural. E assim começam as pequenas mudanças que farão você alcançar seu objetivo maior.

Por Sara Morandi
@saramorandi

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Categorias:
Saúde e Cuidados
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