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Excesso de telas na infância aumenta riscos de miopia

Foto: ImagineChina/Corbis | Site: nature.com

A miopia é quando enxergamos bem para perto e mal para longe. Pode ter graus variados, e a limitação que gera na vida de seus portadores depende muito desse grau.

A miopia pode estar relacionada a fatores genéticos, ou seja, filhos de míope têm maior chance de desenvolver esse problema. Mas algumas doenças, como diabetes, algumas síndromes e a própria catarata, podem cursar com a miopia ou com o seu agravamento, quando ela já existia.

O que tem mais preocupado os oftalmologistas em todo mundo é a progressão da miopia relacionada ao uso excessivo da visão de perto, especialmente com o uso de telas. Isso já vinha acontecendo antes mesmo da pandemia da Covid-19.

Um artigo de 2015, publicado na respeitada Nature, traz na capa uma arquibancada de alunos chineses, praticamente todos usando óculos. O artigo foi intitulado “O BOOM da Miopia” e aborda esse tema que atinge três a cada cinco jovens no mundo.

Mais um problema de saúde pública, já que crianças e adolescente com baixa visual, são mais propensos a acidentes e têm pior rendimento escolar quando não tratados. Sem falar dos custos para consultas, exames, óculos, lentes de contato e cirurgias para correção do grau.

Organizações como a OMS (Organização Mundial da Saúde), e o CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia), além de muitas outras instituições, tentam orientar sobre os riscos de crianças e adolescentes passarem quatro a oito horas por dia, quando não for mais tempo ainda, em frente às telas, usando a visão quase que exclusivamente olhando para perto.

Seja em para casas, colorindo, ou jogando, essa extenuante jornada diária, olhando quase que só para perto, traz consequências para nossos olhos e para nosso corpo.

Nossos olhos vão progressivamente “aprimorando” sua habilidade em olhar para perto e “esquecendo de usar” sua capacidade de olhar para longe. Vão ficando cada vez mais míopes.

Já nossos corpos, vão ficando preguiçosos, propensos a uma série de doenças. A nossa mente também sofre, vai ficando cada vez mais acostumada a receber informações, comandos, diversão, e quase tudo proveniente das telas.

A “janela digital” que as telas nos trazem, permitiu nossa sobrevivência e contato com nossos familiares, com o aprendizado e com nosso trabalho durante a pandemia. Mas já é tempo de ponderarmos sobre os limites do uso excessivo de telas. Para o nosso bem-estar e o dos nossos filhos.

E não é “só” a progressão da miopia, é a progressão da ansiedade, da depressão, dos distúrbios de imagem entre jovens e crianças expostos ao mundo digital de forma desmedida. Não há nada que funcione bem sem limites.

O tempo de visão de perto precisa ser limitado e alternado com períodos diários olhando para longe. Não só para diminuir a progressão da miopia, mas para o bem da saúde como um todo e para uma mente sã.

Assim, já em 2019, a OMS lançou um manual de orientações quanto ao uso de telas para na infância e adolescência. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Academia Americana de Pediatria (AAP), também abraçaram a causa.

Não somente a causa da miopia, mas do desenvolvimento global das crianças, que necessitam de estímulos diversos que não podem ser totalmente substituídos por aplicativos e dispositivos, o que foi dificultado pela pandemia, pelas aulas e para casas online e reuniões por vídeo chamada. Tudo isso dificultou muito o controle do tempo de exposição às telas.

Segundo a Academia Americana de Oftalmologia (AAO), estima-se que, em 2050, cerca de metade da população mundial será míope. Isso significa que, se nada for feito, haverá um aumento de 83% dos casos de miopia nos próximos 29 anos.

Atualmente, a prevalência da miopia é de 11% a 36%. Daí uma nova recomendação, além de tentar controlar o uso de telas no tempo livre das crianças: levá-las para atividade ao ar livre. Trabalhos têm mostrado que crianças que ficam até duas horas diárias ao ar livre, têm menos miopia.

Assim, a recomendação é de que as crianças passem pelo menos duas horas diárias em atividades ao ar livre, em que sejam expostas à luz solar. Além de ajudar a proteger a visão, esse hábito é importante para evitar o sedentarismo infantil e todas as doenças que ele pode predispor para a criança na vida adulta.

E como saber se seu filho está ficando míope?

Você vai observar se ele:

  • Precisar ficar muito próximos de objetos para observá-los;
  • Assistir televisão de perto;
  • Reclamar de dor cabeça ou cansaço nos olhos;
  • Esfregar a vista com frequência.

Caso ele apresente algum desses sintomas, é muito importante que ele seja submetido a um exame oftalmológico.

Referencias: The miopia BOOM – Nature – 2015

Guidelines on physical activity, sedentary behaviour and slee da OMS – 2020

Por Dra Fernanda Santos
@drafernanda.santos


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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Categorias:
Saúde e Cuidados
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