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O preconceito e o olhar diferente com a mulher com deficiência

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  • por em 17 de abril de 2021
preconceito mulher com deficiência

Além do medo, das dificuldades e dos maus-tratos, a mulher com deficiência também sente o preconceito das pessoas que estão em volta

Além do medo, das dificuldades e dos maus-tratos, a mulher com deficiência também sente que as pessoas em volta possuem preconceito e realizam um olhar diferente, pelo fato de serem deficientes. Capacitismo é um termo usado para designar o preconceito contra pessoas com deficiência.

A advogada T.B relata que preconceito, descrédito e infantilização é algo diário, em diferentes ambientes, como no elevador do trabalho ou no estágio da faculdade. Ao invés de dirigirem as perguntas à ela, questionam para quem estava ao lado.

“Quantos anos ela tem?”, “Qual é o nome dela?”, “Que bonitinha, saiu para dar uma voltinha hoje?” ou passar a mão no cabelo sem autorização são alguns dos preconceitos já vivenciados por ela, como se fosse uma criança ou alguém incapaz de responder a perguntas ou de viver uma vida normal.

Ela ainda destaca que as pessoas parabenizam o namorado dela por estar se relacionando com a mesma, como se fosse um herói. Também questionam se o namorado não é o irmão ou cuidador dela, não o enxergando como parceiro.

As mulheres com deficiência relatam que também ouvem: “Se você não fosse cadeirante, ia ter vários homens atrás de você” ou “Você é muito bonita de rosto” e até mesmo “Você é muito bonita para ser deficiente ou para estar em uma cadeira de rodas”.

Além do preconceito e deste olhar diferente, o assédio também é outro destaque que ocorre na vida das mulheres com deficiência, uma vez que é pensado que são mais vulneráveis e que não têm como defender-se, afirmam psicólogos e mulheres com deficiência.

“Pelo preconceito, a mulher com deficiência pensa que é ‘menos’ ou que ninguém nunca vai querer estar com ela, aumentando os casos de relações abusivas.”, revela T.B.

As mulheres com deficiência também destacam que não é somente em relacionamentos que sentem-se em defasagem, são em todos os aspectos.

O enfrentamento por estar fora dos padrões estéticos da sociedade

A falta de representatividade na mídia a respeito das mulheres com deficiências é algo que ainda não mudou e que mexe com a autoestima delas. O sexo feminino já é pautado em padrões estéticos, o que é ainda pior quando se tem alguma deficiência.

A autoestima e a aceitação do corpo estão entre os principais enfrentamentos da mulher com deficiência. As pessoas não aceitam dessa forma pela deficiência, principalmente quando se é uma mulher. Por conta disso, é gerado um preconceito, em especial do público masculino, que sonha com a mulher perfeita.

Muitas vezes, não há roupas acessíveis e utensílios de estética para elas. Poucas frequentam salões de beleza ou lojas de roupas, devido à falta de acessibilidade e também pelo medo do preconceito. Algumas até mesmo revelam que não frequentam bares ou casas de show devido a estas razões.

A saúde e a sexualidade da mulher com deficiência

Se a acessibilidade nos locais ainda é um desafio para as pessoas deficientes, é ainda mais complicado quando envolve a questão da saúde pública. Apesar da Lei Federal nº 11.664/2008 garantir a todas as mulheres o direito à assistência integral à saúde, como exames de colo uterino e mamografia, elas relatam que a realidade não é bem assim.

Elas afirmam que é difícil encontrar um lugar com macas em altura que dê para subir ou equipamentos de mamografia com acessibilidade ou que há a barreira em chegar ao consultório, porque muitas vezes não há estacionamento.

Revelam também que além da dificuldade nos exames pré-natal ou ginecológicos, há ainda o enfrentamento em relação ao comportamento e preparação dos profissionais.

Para uma deficiente auditiva é outro agravante, uma vez que é preciso profissionais que se comuniquem por Libras, e não é algo comum na área da Saúde.

Também complementa que abordar sobre a sexualidade da mulher com deficiência ainda é um tabu, causando receio no público para debater sobre este tema. Muitos pensam que quem tem deficiência, não mantém relações sexuais ou que não podem ser mães.

“A mulher com deficiência é assexualizada, esterilizada e desconhece seus direitos sexuais e reprodutivos.”, define T.B.

Por Lara Hinkel


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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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