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Seu filho não nasce enxergando!

Foto: Divulgação Internet

Nos dias atuais, em plena era digital, a era da informação, ainda atendo crianças que “descobrem” a necessidade de usar óculos já com oito ou nove anos de idade.

Num exame oftalmológico, algumas vezes sugerido pela professora, devido ao baixo rendimento escolar. Em outras, a procura parte da mãe, preocupada com a causa da dor de cabeça.

Isso quando o jovem não descobre no Detran, no exame para tirar carteira de motorista, que enxerga apenas com um dos olhos, ou ainda, quando ele é reprovado num concurso público por não ter a visão mínima exigida para a carreira desejada.

Diferente do que muitos acreditam, as crianças não nascem enxergando.

Os nossos olhos são os nossos sensores mais complexos. Eles começam a se desenvolver na quarta semana de gestação, ou seja, ao final do primeiro mês do embriãozinho. Numa extensão do futuro sistema nervoso central.

Isso mesmo! Nossos olhos são uma extensão do nosso cérebro. Nossa retina é feita de neurônios e estes neurônios formam o nervo óptico.

O sistema nervoso central vai amadurecendo durante a primeira infância, e nós aprendemos a sentar, engatinhar e depois andar. Da mesma forma acontece com a fala: primeiro balbuciamos sílabas sem sentido, até aprendermos palavras e depois frases.

Assim também são os nossos olhos: até o terceiro mês de vida, vemos apenas vultos, depois começamos a ver cores e formas, e vamos progressivamente ampliando nosso campo de visão e os detalhes que somos capazes de perceber.

Esse processo de amadurecimento ou desenvolvimento visual vai até os sete anos de idade. Qualquer coisa que dificulte esse processo pode trazer danos permanentes para a visão, e logo, para a vida dessa criança.

Quem nunca ouviu uma avó dizer: “Tira esse cabelo do olho, vai atrapalhar sua visão.” Essa é uma grande verdade. Tudo que fica “atrapalhando” a chegada da luz na retina, seja uma “barreira de cabelo”, a queda da pálpebra (ptose) ou até condições mais graves, como catarata congênita e o grau alto não tratado com os óculos, pode impedir o desenvolvimento visual.

Uma vez finalizado o período de maturação da visão, o olho que não teve seu desenvolvimento estimulado adequadamente, mesmo que não tivesse nenhuma alteração, passa a fazer parte de um grupo chamado ambliopia ou olho preguiçoso.

Ele tinha tudo para enxergar bem, mas não foi estimulado, por não usar óculos, por exemplo. Ou foi privado do estímulo por alguma barreira, como o famigerado cabelo no olho ou a queda das pálpebras.

A ambliopia atinge 3% das crianças brasileiras. A maioria desses casos poderia ser prevenida, se tivesse sido realizado um exame oftalmológico antes dos cinco anos de idade.

Idealmente, a criança precisa fazer o teste do olhinho logo após o nascimento, como uma triagem para algumas doenças congênitas da visão. Depois, ela deve realizar um exame oftalmológico anual até completar os sete anos.

Mas essa não é a realidade da maioria das crianças, independentemente do nível social. Em grande parte, essa ausência das crianças para o exame de vista deve-se ao fato dos pais acreditarem que, se a criança não está trombando nas coisas, nem chegando muito perto do rosto, ela está enxergando bem e não precisa ser examinada.

Mas infelizmente nossos olhos podem apresentar um desenvolvimento diferente. Isso mesmo, às vezes apenas um olho está vendo bem e o outro não, por isso a criança não tromba em nada. Mas esse olhinho com desempenho mais fraco precisa de ajuda.

Na verdade, a criança não sabe o que é enxergar bem. A forma que como ela vê, nítido ou embaçado, é como ela acredita que seja certo. Não podemos esperar que a criança se queixe de enxergar mal. Afinal, ela não sabe como e é enxergar bem.

Queixas como dor de cabeça ou coceira recorrente nos olhos também podem ser um sinal para os pais atinarem para o exame de vista. Lembrando que o ideal é fazer o exame oftalmológico preventivamente, antes que a criança se queixe.

Uma observação especial para a criança alérgica: as alergias respiratórias, geralmente são acompanhadas de conjuntivite alérgica, com a coceira dos olhos sendo um problema frequente na vida das crianças.

As crianças “coçadoras de olho” são mais propensas a apresentar ceratocone na adolescências e sérios problemas visuais na idade adulta. Por isso, elas também precisam de acompanhamento oftalmológico periódico.

Não podemos permitir que nossas crianças, tenham dias difíceis na escola, pela simples falta de um óculos. Nem que tenham a visão como o obstáculo para seu sonho da carreira militar ou de qualquer outra carreira em que a visão seja imprescindível, como a de médicos cirurgiões.

A identificação da ambliopia, o tratamento precoce e a correção dos fatores que impedem o bom desenvolvimento dos olhos, podem mudar definitivamente o futuro de uma criança.

Por isso, não espere seu filho reclamar, agende logo um exame oftalmológico para ele!


Por Dra Fernanda Santos
@drafernanda.santos

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Categorias:
Saúde e Cuidados
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