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25 mulheres sofrem algum tipo de violência doméstica por minuto no Brasil

Foto de Anete Lusina no Pexels

A pandemia provocou grande preocupação com a saúde e a economia, mas também deu causa ao aumento da violência doméstica e familiar sofrida por mulheres em todo o mundo, que diante da necessidade do isolamento em seus lares, passaram a conviver dia e noite com seus agressores. Essa informação foi confirmada pelo secretário-geral das Organização das Nações Unidas (ONU), em dezembro de 2020. No Brasil, segundo a Inteligência em Pesquisa e Consultoria IPEC (Inteligência em Pesquisa e Consultoria), a cada 1 minuto, 25 brasileiras sofrem algum tipo de violência doméstica.

A pesquisa que aponta esses dados, foi realizada entre os dias 19 e 23 de fevereiro deste ano, onde 2002 mulheres foram entrevistadas e responderam perguntas sobre atividade domésticas, saúde, alimentação, emprego e violência sofrida por elas durante a pandemia. Além do impacto físico, a pesquisa apontou que elas estão tendo a saúde mental ainda mais afetada, em comparação com os outros anos.

Ainda segundo a pesquisa, 15% das brasileiras vivenciaram ao menos uma das cinco situações de violência avaliadas, ou seja, cerca de 13,4 milhões de mulheres sofreram algum tipo de violência durante a pandemia. 12% foram xingadas; 6% sofreram algum tipo de agressão física; 3% sofrem ameaças com arma de fogo, faca ou outro objeto; 3% foram forçadas a ter relações sexuais com o companheiro e 3% sofreram assédio sexual por companheiro, parente ou ex-companheiro.

Como foram apresentados nos dados a cima, percebe-se que ocorreu um grande aumento da violência contra a mulher. Entretanto, é fato que, mesmo antes da pandemia, a violência contra as mulheres já era uma das grandes violações de direitos humanos ocorridas no País.

Parte do desafio, para combater a violência, é convencer algumas mulheres de que o abuso é inaceitável. Outras não percebem o perigo de sua situação, pois não acreditam que seus parceiros sejam capazes de matá-las.

Com a pandemia a vítima vem encontrando maiores dificuldades em denunciar, já que está junta ao agressor, em confinamento. Antes da pandemia, ela tinha a oportunidade de sair para registrar a agressão quando ela ou o autor iam trabalhar.

Campanhas a nível nacional tem sido criadas para ajudarem nesse processo de denúncia. Uma delas é o sinal vermelho contra a violência doméstica. A agredida procura uma farmácia e mostra a palma da mão com um X vermelho. E os responsáveis tomam as medidas cabíveis.

Outra campanha que está sendo amplamente divulgada é a Central de Atendimento à Mulher. A vítima liga para o número 180, onde ela será ouvida e acolhida com um atendimento qualificado e as sua denúncia será encaminhada para o órgão competente. O serviço também fornece informações sobre os direitos da mulher e os locais de atendimento mais próximos e apropriados para cada caso.

Nós mulheres precisamos compreender o sistema legal e social que envolve a nossa proteção, bem como analisar o complexo e dinâmico fenômeno da violência na nossa sociedade, frente à pandemia existente. Não podemos aceitar que esse momento seja tratado como justificativa para uma agressão a mulher e a família.

Por Carol Canabrava
@carolcanabrava

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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