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A Pandemia de desafetos

Pandemia

Crédito: Paolese - stock.adobe.com

Enfim, sextou! A palavra, antes carregada de energia e animação, hoje já não causa tanto impacto.

A pandemia do coronavírus se prolonga muito além de todas as previsões que poderíamos fazer. Já estamos há mais de um ano vivendo isolados, restritos e cheios de abraços contidos. Tudo para conter o avanço de algo que não podemos ver, mas podemos sentir. Estresse, ansiedade, medo, insegurança, luto, incerteza. É preciso capacidade de abstração e resiliência para enfrentar o inimigo invisível. Acredito que em algum momento disso tudo, mesmo que por um segundo, todos nós já esquecemos do que acontecia à nossa volta ou até mesmo nos questionamos se era mesmo real. Como é possível que algo que não pode ser visto ou tocado, consiga parar o mundo e causar tanto estrago? A única certeza que temos no meio disso tudo é que o coronavírus veio para transformar a vida das pessoas. Além de levar a de muitas outras.

Cada um foi afetado e tem lidado com isso de uma maneira. Eu e muitos de nós sofremos o impacto sobre os jovens. Ser jovem é fluir, experimentar, desejar. Só a experiência nos permite conhecer e crescer. É a melhor fase da vida para estudar, namorar, explorar, viajar, aglomerar e, de repente, nos vimos privados disso tudo. E não adianta pensar que a doença não nos atinge, porque atinge. O contágio não depende de faixa etária, mas sim de algumas características orgânicas que os cientistas ainda não decifraram.

Esta é para nós, uma pandemia de afetos. Estamos adiando experiências, postergando afetos e renunciando a aventuras em nome da preservação de nossas vidas e das dos que estão à nossa volta. O distanciamento social não é o mesmo que fechar-se em si, tornando-se indiferente a tudo e a todos os demais. Não é uma atitude individualista, pelo contrário, é um ato solidário – um sacrifício pessoal em favor do bem comum.

Nesse momento, em que não podemos direcionar o nosso afeto ao outro, precisamos voltá-lo a nós mesmos. Para conseguirmos nos conectar a outras pessoas, é necessário que haja primeiro uma profunda compreensão do eu. A pandemia levou muitas vidas, mas também mostrou que existe muita vida dentro de cada um de nós. Haverá tempo para viver, mas até lá precisamos cuidar da nossa saúde física e mental, praticando o autoamor. É necessário que deixemos de enxergar isso como um ato de egoísmo e entendamos que para ajudar e cuidar uns dos outros, precisamos estar internamente fortalecidos.

Por Laura Baraldi
@laurabaraldi_

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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