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Como será o futuro das minorias no Afeganistão?

Afeganistão

Fonte: bbc/gettyimages

Espanto, raiva, imensa tristeza e sensação de impotência, é o que se sente ao ver as imagens dos terroristas islâmicos do Talibã tomando Cabul no Afeganistão enquanto vários afegãos desesperados tentam fugir em meio ao caos.

Fonte: Tolo News (canal de notícias 24 horas do Afeganistão)

Após 20 anos, este, é um dos primeiros sinais de que podem ser revertidos, os direitos conquistados pelas mulheres e minorias ao longo dos 20 anos desde que o movimento militante islâmico foi derrubado.

MAS COMO ISSO ACONTECEU?

20 anos após ser expulso pelas tropas dos Estados Unidos, neste domingo, dia 15 de Agosto de 2021, o Talibã voltou a Cabul, capital do Afeganistão. Essa retomada, além das outras regiões próximas, ocorreu em meio a retirada dos militares americanos do país.

Em Fevereiro de 2020 foi celebrado um acordo entre os Estados Unidos e o Talibã, sendo combinado que os Estados Unidos e seus aliados militares iriam retirar todas as tropas do território em troca do compromisso do grupo de não permite que a Al-Qaeda ou qualquer outro grupo extremista operasse nas áreas que controla.

Ainda, como parte do acordo, foram liberados da prisão em torno de 5 mil militantes Talebãs e os Estados Unidos prometeu suspender as sanções contra o grupo.

Conforme acordado, chegou a hora das tropas americanas se retirarem, dando espaço para o grupo expandir rapidamente em todo território com ataques contra o poder público e alvos civis.

Mulheres, minorias e defensores dos direitos humanos. De repente, a maior parte da liberdade dessas pessoas foram retiradas delas, de novo. Sem escolhas, o pior é esperado, já que quando o Talibã governou o Afeganistão pela última vez, de 1996 a 2001, as medidas adotadas eram drásticas.

As meninas não podiam frequentas escolas, mulheres não podiam trabalhar e, para saírem de casa, não podiam utilizar de transporte público, tendo que cobrir o rosto e estarem sempre acompanhadas por um parente do sexo masculino.

Nas empresas ou industrias, as mulheres foram sendo substituídas por parentes do sexo masculino.

Mulheres e minorias que ousavam infringir as regras impostas, sofriam diversas humilhações de forma pública, podendo até serem espancadas pela polícia religiosa sob as ordens da lei islâmica denominada de Sharia.

Onde antes era possível ver mulheres felizes e livres que seguiam a lutar pelos seus sonhos, agora são vistos rostos vazios, mulheres desesperadas. Tudo o que conquistaram, estudo, trabalho, liberdade, planos, o futuro, acabou, mais uma vez privadas de viver.

Fonte: Tolo News (canal de notícias 24 horas do Afeganistão)

Os Talibãs voltaram, e junto com eles a promessa de agredir todas as mulheres que não estiverem usando burcas e ousarem despertas as novas leis impostas, com frases como:

“Vão-se embora e metam a vossa chadari (burca).”

“Estes são os vossos últimos dias a andar pelas ruas.”

“Se eles disserem sim, você tem que dizer sim. Se eles disserem não, você tem que dizer não.”

“Eu vou casar com quatro de vocês no mesmo dia.”

Agora, só existe o medo de retrocesso.

E QUAL A SITUAÇÃO AGORA?

Incerteza. Ninguém sabe como serão as coisas. O Talibã avançou abruptamente, tomando cidades de extrema importância, o que resultou na fuga do presidente afegão, Ashraf Ghani.

Um atentado a democracia. Cada cidade que cai sob o controle do Talibã, resultam em mais mortes, sonhos se acabam, história e futuro destruídos, nosso mundo colapsa.

 Não há explicação suficiente para narrar tamanha crueldade. A explicação política e religiosa, o contexto histórico, a dimensão geopolítica, nada disso da conta de descrever o drama de indivíduos inocentes, que nem sabem se amanhã estarão vivos.

Por Thayane Malta
@thayanemalta

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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James bond

Muito bom o texto! Triste realidade , o islã sempre prevalece em meio a todas invasões( Roma,Índia, unirão soviética e agora eua)