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Entrevista com Mariana Becker! Confira

Foto: Reprodução / Instagram

Entrevista com Mariana Becker – Brilhando fora das pistas, a gaúcha é pioneira no jornalismo esportivo. O nome dela é unanimidade entre os fãs dos esportes e se e você já assistiu alguma corrida, você a viu!!!

O automobilismo ainda é um esporte que a participação feminina em qualquer posição (seja nas equipes, pilotos, mecânicos, engenheiros, inclusive torcedores) é muito pequena.

Maria Teresa de Filippis, foi a primeira mulher a pilotar um carro de Fórmula 1!  Ela disputou 5 provas oficiais, na temporada de 1958 e 1959. A última mulher que participou da categoria foi Giovanna Amatti em 1992, pela equipe Brabham. Ela conseguiu se classificar, mas foi substituída pelo inglês Damon Hill, Antes dela, outras quatro mulheres tomaram parte em algum grande prêmio, sendo que apenas duas largaram para corridas oficias. Uma delas é a italiana Lella Lombardi, única na história a pontuar na F1.

Mas, um nome que é unanimidade entre os fãs dos esportes é Mariana Becker, Se você já assistiu alguma corrida, você a viu!!!

Brilhando fora das pistas, a gaúcha é pioneira no jornalismo esportivo. Há mais de 25 anos morando fora do país, bati um papo com ela, que falou sobre a carreira, preconceito na área e muito mais! Bora conhecer um pouco mais dessa mulher que é uma inspiração para mim!

1- Desde sempre você curtia Fórmula 1? Com surgiu esse interesse?

Eu curtia como qualquer brasileiro da geração que viu Ayrton, Nelson, mas eu era pequena.. e via porque éramos campeões, não tinha como não ver, não era apaixonada, via com meu pai, assim como a maioria de nós… e, assim como via outros esportes

2- Como você, Mariana Becker, virou correspondente?

Sempre viajei muito cobrindo vários esportes pelo mundo, cobria vela, cobria surfe, daí virei correspondente pela Globo. Quando vim morar em Mônaco, num projeto da Globo em investir numa mulher na Fórmula 1, juntei o útil ao agradável. Vim morar com meu marido e meu produtor Jaime Brito. Então, foi uma junção de coisas e a partir daqui ficou muito fácil para a televisão me mandar para qualquer lugar. Eu cobria não só a parte esportiva, mas também qualquer evento emergencial, como ataques terroristas, festival de Canes, Festival de Berlim, o que precisavam de mim, eu estava a postos;

3-Sofreu ou ainda sofre preconceito por ser mulher nesse meio tão masculino?

O preconceito vem, não de uma forma muito escancarada, o que as vezes é mais difícil da gente conseguir rebater, vem assim, de não dar valor a informação que você tem, ao cara vim te explicar alguma coisa que você já está careca de saber, isso não tem grandes problemas. Toda explicação é bem-vinda. O pior é não levar a sério o que você está falando, e ainda pior, é num momento que dizem, “ele falou com você porque você é loira dos olhos claros”, isso ignora todo o trabalho que a gente tem de relacionamento, confiabilidade que a gente tem de exercer e regar sempre, todo tempo, cortar sempre as pontinhas para que essa relação continue, então você reduzir isso a ser loira de olho claro é muito chato.

4-Você, Mariana Becker, é uma inspiração para muitas mulheres que são, digamos pioneiras, num esporte tão masculino, o que diria para quem está começando agora e tem um sonho de ser correspondente e atuar nesse meio tão machista?

Diria para meter a cara, vai com tudo! Você tem que fazer o que você tem vontade de fazer. O único impedimento para você não fazer o que tem vontade é você não estar mais afim, hoje em dia se abre espaço e aproveita que tem outras mulheres que também fazem isso e caras que são legais e divide com eles qualquer dificuldade que você tiver, mete bronca!

5-Você mora fora do Brasil há mais de 25 anos. Como foi essa mudança de país? Construir uma família fora do seu país e a saudade dos que aqui ficaram?

Eu moro fora do país há 12 anos, e, moro fora de casa há 25 anos. Morro de saudades de casa, tenho uma ligação muito estreita com a minha família, com meus irmãos, e com os meus pais. Tenho muitas saudades todos os dias, mas, eu gosto muito de morar fora e gosto muito da minha vida aqui. Eu me casei e tenho 2 enteados, não tenho filhos, tenho os 2 enteados com quem eu tenho uma relação muito, muito próxima, são a minha família também.

6-O brasileiro é um apaixonado por Fórmula 1 e tinha perdido um pouco o interesse pela categoria, com isso a emissora detentora dos direitos de transmissão não renovou o contrato. Agora, na Band as pessoas têm mostrado uma nova “animação” digamos assim para acompanhar a transmissão e vocês têm recebido muitos elogios. Você acha que houve uma mudança? Percebe esse carinho dos seus fãs?

Eu acho que ouve sim essa mudança e percebo muito o carinho dos fãs comigo, com a equipe toda, com o esporte, com o que a gente está fazendo pra poder renovar também, então a gente fica muito feliz com isso, de estar sendo bem recebido, porque a gente está fazendo o que a gente gosta.
Você fazendo o que gosta e, quem está recebendo do outro lado gosta também é a melhor coisa, é a melhor combinação… é o que eu costumo dizer, quando a gente divide o positivo, na verdade a gente está multiplicando.

7-Os pilotos são muitos fechados e poucos receptivos as pessoas que cobrem à categoria. Como você conseguiu conquistar tanta simpatia por todos? Inclusive você tem a famosa história de distribuir brigadeiros nos boxes. Tem mais alguma história para contar para nossas leitoras?

Com o tempo, entrevistando as pessoas, a gente vai estabelecendo essas relações… e, eu não sou amiga deles. Eu tenho uma boa relação, mas amiga não sou… a gente não frequenta um a casa do outro. Existe um distanciamento, o que acontece é o que se vê no ar é uma parceria. Uma camaradagem que a gente vai conquistando ao longo do tempo…

O Daniel… a história dos brigadeiros, foi porque ele sempre disse que adorava brigadeiro, e encontrei com ele algumas vezes na casa do Felipe Massa, e ai, uma vez era aniversário de alguém e ele comeu um monte de brigadeiros. Quem apresentou foi a Rafa Massa; quando ele ganhou em Monza, ele já andava triste em alguns grandes prêmios, eu disse você está merecendo um brigadeiro.. ele por favor, por favor… eu fiz pare ele, ele foi pego de surpresa, ele não imaginou que eu iria fazer e com isso ele ficou super contente.

8-Tem alguma corrida que te marcou?

Muitas corridas me marcaram, algumas por motivos muito tristes, outas por motivos que me fizeram me superar, outras por motivos históricos.

Então aí a gente tem morte de pilotos, como motivos tristes… outro que eu tive que tive que me superar foi o acidente do Felipe Massa, porque não só era um grande piloto, mas um piloto brasileiro, e uma pessoa que eu gostava muito, tive que me superar para ter a frieza e a tranquilidade para fazer aquela cobertura, foi uma cobertura muito extensa e intensa. E, históricas, a despedida do Felipe Massa, com uma demonstração de apresso e de carinho que eu nunca tinha visto em Fórmula 1, desconheço alguma fez que aquilo tinha acontecido, um momento em que um piloto se despede de uma categoria, todos os mecânicos de todas as equipes, se perfilam na frente do boxe para aplaudi-lo, aquilo ali foi um momento histórico e muito importante pra mim como jornalista de presenciar aquilo.

Por Elisa Moyses
@elisa.moyses


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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Thaís

Excelente. Como sempre! Parabéns 👏👏👏👏

elisa

Obrigada 🙂

Samuel Mendes

👏👏👏

elisa

:)_

CRISTOVAO José de Oliveira Silva

Ótima matéria 😀

elisa

Obrigada 🙂

Hissa

Adorei q entrevista. Parabéns

elisa

Obrigada 🙂

Danielle

Ótimo texto!!!

elisa

Obrigada 🙂

Renata

Mto bom saber mais sobre essa jornalista incrível, ótima matéria! 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

elisa

Obrigada 🙂