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Novas tecnologias facilitam a oferta de produtos voltados para o mercado financeiro

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Diante das novas tecnologias, as novas empresas que entram no mercado financeiro podem focar no produto, aplicativo e experiência do usuário.

Você já deve ter percebido que várias empresas estão virando banco ou oferecendo algum tipo de produto financeiro. Basta abrirmos o celular e nos deparamos com exemplos como RappiPay, PicPay, GooglePay, Ame da Americanas, Cartão de crédito da XP, Méliuz, e por aí vai. Mas, de onde vem tudo isso?

Por várias décadas, algumas características estruturais inibiram a inovação no mercado financeiro. Podemos citar como exemplos o sistema das instituições financeiras (IFs), estrutura de agências e lojas físicas, infraestrutura complexa, regulação extremamente rígida e muito mais. Tudo isso resultava em produtos financeiros sendo apenas ofertados por poucas instituições financeiras que acabavam dominavam o mercado.

“Esses bancos, seguradores e outras empresas reguladas gastavam bilhões em inovação, mas não ofereciam nada muito novo para o cliente final”, explica Mateus Gomes, formado em Administração e Finanças pela Hult International Business School, em Londres.

O administrador lembra que a falta de competição custava caro ao consumidor final. “Cobrava-se taxas altas e entregava-se pouca inovação. O orçamento dessas empresas acabava sendo utilizado para manter sistemas antigos, infraestrutura complexa, gastos com regulação, antifraude, processamento de pagamento, etc”, ressalta Gomes.

Foto: Rafael Angeli

Nesta época, que não é tão distante assim, o mundo estava se desenvolvendo em várias outras áreas, mas as barreiras de entradas para o setor financeiro eram tão altas que raramente uma nova empresa conseguia de fato competir com os players mais tradicionais.

Antigamente, para que uma empresa pudesse oferecer uma conta bancária para os seus clientes, era necessário ter uma licença específica, sistema bancário, equipe de antifraude, risco e compliance, sistema bancários etc. Ou seja, o foco não estava no produto e sim na estrutura interna da operação.

Da mesma maneira que a AWS, por meio da oferta da sua infraestrutura de servidores em cloud – ou chamada popularmente de nuvem – possibilitou que empresas como Airbnb, Netflix e Spotify lançassem seus produtos sem a necessidade de um alto investimento em infraestrutura tecnológica, provedores de Banking as a Service (BaaS) estão revolucionando o mercado financeiro.

Diante das novas tecnologias e um excelente trabalho dos reguladores, por meio de parcerias com provedores de BaaS, as novas empresas que entram no mercado podem focar no produto, aplicativo e experiência do usuário, enquanto todo o resto é terceirizado.

Podemos fazer uma analogia sobre a oferta de produtos financeiros e dizer que é como brincar de lego: as empresas interessadas podem escolher quais serviços querem ofertar e quais provedores vão oferecer a infraestrutura necessária.

A administração de infraestrutura e regulação, que antes era complexa, se transformou em gerenciamento de parcerias estratégicas. Alto investimento em programação agora virou configuração e integração.

Mas o que isso significa? Com toda essa mudança de paradigma, startups podem lançar soluções financeiras de maneira mais simples, barata e rápida. Instituições financeiras podem oferecer a sua infraestrutura bancária, monetizando a confiabilidade e licenças.

Empresas de diversos ramos podem oferecer produtos financeiros, gerando novas fontes de receita, melhorando a experiência para seus clientes e reduzindo custos. Com isso, quem mais ganha é o consumidor que passa ter acesso a uma quantidade maior de produtos por preços melhores.

Por Rafael Angeli
@angelibh

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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