Mundo Ela

O tempo: um grande aliado!

o tempo

Olhar apenas para o que o tempo tira de nós? Que tal observarmos tudo o que ele nos traz? Ele é um parceiro do envelhecimento e nosso também.

Oh Dona…!

Oh Dona, disse o vendedor de bugigangas… oh senhora, insistiu ele. Donaaaa!!!! Ele falou ainda mais uma vez e mais alto do que todas as outras. Acredito que achou que eu não estivesse ouvindo.

Na verdade, eu estava ouvindo… e muito! Foi a primeira vez que alguém me chamou assim. E como ele repetiu várias vezes, cada vez mais alto, não sei se doeu mais no ouvido ou no coração.

Se ele tivesse falado: minha jovem senhora, ou só jovem, ou ainda, simplesmente VOCÊ. Acho que eu não teria me perturbado. Mas DONA??? AFF! Pela primeira vez senti a idade me dando uma rasteira.

Tanto botox e creme… fiquei a pensar… e o vendedor, na mais cruel sinceridade, falou sem o menor pudor, a mais pura verdade: OH DONA!

E como toda primeira vez, a gente nunca esquece.

Era domingo de manhã, eu estava com minha filha, com seus cinco anos de idade, na Feira Hippie para comprar roupinhas de boneca. Eu estava me achando a MÃE, passeando com minha princesinha entre as barracas lotadas (muito antes da COVID…).

Foi quando ouvi aquela voz, ecoando nas cavernas ocultas dos meus medos de tudo o que acompanha o envelhecimento.

Eu não podia ter um choque de realidade, bem naquele meu dia de MÃE!

Minha primeira reação foi ignorar, é claro. Afinal, às vezes ele estava falando com alguma senhora que passou antes ou depois de mim…

Se ele não tivesse repetido insistentemente, olhando para mim, acredito que agora eu não estaria escrevendo este texto.

Já se foram dois anos, desde aquele dia inesquecível. Não somente pelo confronto inesperado com a realidade, num dia de lazer, mas pela necessidade de começar a pensar no envelhecimento como um caminho natural e não como um castigo existencial.

Desde então, tudo que permeia esse período de transição chamado “meia idade”, me interessa muito!

É engraçado chamar a “meia idade” de período de transição. Afinal, desde o nascimento até a morte, estamos em transição.

Mudamos o tempo todo, orgânica e mentalmente. No entanto, na “meia idade” a mudança física já não soma mais a nosso favor.

A partir deste período, as mudanças parecem tirar um pouquinho da gente dia após dia. Mas na balança, e somente nela, a somatória parece não ter fim.

Lidar com a sensação de estar perdendo posição na corrida, de não ser mais número um em alguma coisa, de não ser mais tão bela (e dá-lhe madrasta e espelho magico…). Tudo isso pode nos levar a ter atitudes estranhas.

Como a minha naquele dia, em um simples passeio na Feira Hippie, fingindo que não estava ouvindo o moço a menos de um metro que me falava… ou a da madrasta, que conversa com espelho e depois tenta matar sua enteada…

Nessa fase, para mantermos a amizade com espelho, somos capazes de loucuras (não como a madrasta, é claro!). Mas somos tentados a agir de forma que possamos segurar o que temos, sem deixar o envelhecimento levar nada.

Mas viver o envelhecimento dessa forma pode ser muito sofrido, pois como vencer o tempo? Tudo que tentarmos vai durar somente um período… e o Tempo? Ahhh… ele é o maior parceiro do envelhecimento!

Assim, diante de uma batalha perdida pela juventude eterna, é melhor mudarmos o nosso foco.

Ao invés de olharmos apenas para o que o tempo tira de nós, que tal observarmos tudo o que ele nos traz? Ele é um parceiro do envelhecimento e nosso também. Depende de como analisamos!

Por: Dra Fernanda Santos
@drafernanda.santos

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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