Mundo Ela

Ravena: escolhi ser feliz!

Ravena

Olá pessoal, hoje eu trouxe uma mulher incrível para apresentar a vocês nesse especial do Mês da Mulher: a Ravena!

Essa é a minha paciente Ravena. Com apenas 28 anos, casada e com uma linda menininha, a Maria Alice, ela tem uma lição de vida para nos ensinar.

Vem comigo e vamos conhecer um pouquinho dessa história que começa em 2007, quando ela tinha apenas 15 anos.

A Ravena quando adolescente teve uma forte reação alérgica a dipirona, que acabou evoluindo para uma doença rara, a Síndrome de Stevens-Johnson, que causou queimaduras em todo seu corpo, além da perda de cabelo e das unhas e da inflamação dos olhos.

Com a rápida evolução da doença a sua visão do olho esquerdo foi perdida e, para não perder a do olho direito, ela iniciou um tratamento contínuo com o oftalmologista.

Foram muitos anos de superação, tristeza, força, recaídas… Mas com fé em Deus e o apoio da família, Ravena conseguiu superar!

O médico que cuidava de Ravena sempre a incentivou a continuar, a estudar, a trabalhar, seguir a sua vida. Mas devido à perda da visão de um dos olhos e o aspecto inflamado que seus olhos apresentavam, ela não era aceita nas vagas de emprego.

Com muito esforço, pois o ressecamento ocular e as inflamações repetidas nos olhos dificultavam muito seus estudos, Ravena foi aprovada no vestibular de Administração.

Sua mãe, Marlene, sua companheira de todas as horas, pediu ao médico que desse a ela um um relatório confirmando que Ravena era deficiente visual, monocular (de apenas um olho).

Então ela conseguiu seu primeiro emprego, em uma vaga de deficiente, para recepcionista. Com o passar do tempo, ela finalmente ocupou uma vaga na área fiscal de uma empresa, também em uma vaga reservada para deficientes. Esta era uma vitória na sua linda história de superação!

Embora ela nunca tenha deixado de cuidar dos olhos, o esforço contínuo com estudo e trabalho, além da evolução da doença, que é incurável, fez com que ela começasse a apresentar problemas no olho direito.

Em 2017, quando nos conhecemos, Ravena chegou ao consultório já com uma boa parte da visão do olho direito comprometida. Precisou de uma cirurgia para a retirada de uma membrana que estava progredindo e cobrindo sua visão.

Apesar de a cirurgia ter sido um sucesso, a visão do olho direito estava muito comprometida. Infelizmente precisei orientar para que ela não voltasse a trabalhar, pois seu trabalho aumentava muito os sintomas de ressecamento dos olhos e a inflamação. Era uma escolha muito difícil: os sonhos de uma garota recém-formada ou a perda completa da visão do olho direito.

Ravena conta que foi um baque, como se tudo estivesse desmoronando de novo. Tudo isso mexeu muito com ela. Era um momento difícil de ser considerada deficiente visual, ainda que tivesse uma visão residual no olho direito que permitia a realização de algumas tarefas, o esforço visual e a inflamação quase contínua dos olhos, exigiam um cuidado também contínuo.

Estava tudo estável até que, em 2019, ela engravidou, o que acelerou todo o processo de evolução da doença, fazendo com que Ravena perdesse completamente a visão do olho direito por um período.

Ela ficou apavorada, pois estava perdendo a visão e tinha um bebê para cuidar. Com muito medo ela se apegou na fé, que sempre foi muito forte em sua vida e decidiu que tudo ia dar certo! Colocou tudo nas mãos de Deus.

Quando a pequena Maria Alice nasceu, ela continuou o tratamento do olho direito, e recuperou uma pequena parte da visão. Mas até hoje ela enxerga apenas 10% com o olho direito.

Ravena conta que um amigo uma vez conversou com ela: “Na vida a gente tem duas opções: ou você escolhe ser feliz ou escolhe ser triste.” E ela conversou com Deus e escolheu ser feliz. Pediu que se fosse a Sua vontade, que ela ficasse cega, mas pelo menos tivesse forças e condições para seguir com a sua vida e cuidar da sua filha.

A vida de Ravena ainda é uma luta diária. Casada há três anos com seu marido, pregador, ela destaca que, o amor de Deus na vida do casal foi o que sustentou essa linda família que ela formou.

Hoje ela consegue cuidar da sua filha, mesmo tendo dias muito difíceis, de muita luta. E nutrimos juntas a esperança por um tratamento capaz de melhorar a sua condição.

Como ela mesmo diz: ela escolheu ser feliz e colocar nas mãos de Deus. E é isso que a move e faz com que tenha vontade de viver.

A medicina tem limites, a fé e a esperança não.

Essa é a história dessa mulher guerreira que trouxemos para homenagear nesse mês da mulher!

E você, já agradeceu pela sua vida hoje?

Dra Fernanda Santos
@drafernanda.santos

Leia também:

Mulheres ainda são minoria nas Olímpiadas

Senado aprova projetos que garantem mais segurança à mulher

Feliz Ano Novo Astrológico

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Categorias:
ColunistasÚltimas
Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments