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Transformação tecnológica altera processos e atuação dos advogados

Foto: pixabay

A sociedade está em constante transformação e esse movimento dinâmico acaba refletindo também nas profissões. Hoje vamos falar um pouco sobre como o Direito está se reinventando com a transformação digital. Digitalização das atividades, abertura gradual do mercado para práticas interdisciplinares, rotinas flexíveis e uso intenso de tecnologia para a entrega dos serviços com mais eficiência e competitividade são algumas características dos advogados que antes eram obrigados a conviver com pilhas e mais pilhas de documentações e um sistema burocrático que não era tão ágil e informatizado.

Os advogados Daniel Becker e Paulo Samico lembram que a adesão ao novo modo de trabalho na advocacia é massiva. “A OAB, por muito tempo conservadora, tem sido uma poderosa aliada da tecnologia. O Conselho Nacional de Justiça não fica atrás. Sob a gestão do Ministro Luiz Fux, vem incentivando a inovação no Poder Judiciário de forma macro e micro. As procuradorias, promotorias e defensorias vêm aderindo fortemente à ciência de dados e à automação para executarem suas relevantes funções públicas de forma escalável”, lembra Becker.

Entretanto, como em toda área profissional ainda há aqueles advogados que resistem a essas mudanças e transformação. Tal fato pode se justificar por um certo grau de desinformação e uma frustração com a potencial eliminação de postos de trabalho. Conversando com os advogados Daniel Becker e Paulo Samico, elencamos cinco possíveis pontos para explicar o temor dos advogados com as novas tecnologias incorporadas ao trabalho e o apego à manutenção das antigas práticas.

O primeiro ponto, de acordo com Paulo Samico, é o fato de os profissionais da advocacia viverem um paradoxo. Segundo ele, ao mesmo tempo em que o mercado está saturado de oportunidades, há profissionais mal remunerados pelo excesso de contingência. “O glamour da profissão, romanceado pela mídia e pela cultura pop, é, na verdade, um poço de estresse e estafa, falta de qualidade de vida e uma ausência de perspectivas em locais de trabalho sem qualquer planejamento de carreira. Aqueles que não participam desta dicotomia, acabam tentando empreender”, revela.

Outro ponto crucial, analisado por Samico, é a regulação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). “Temos a sorte de ter um conselho de classe que luta pelos nossos interesses. Entretanto, a Ordem precisa se atualizar, flexibilizar e ver como funciona o mercado hoje. Um bom exemplo de boa atuação é a recente aprovação de novas regras de marketing para advogados, ampliando a publicidade da advocacia, como o impulsionamento de postagens em redes sociais”, avalia.

O quesito diversidade também é citado pelos advogados. A justiça e o direito são transversais. O direito não traduz a diversidade e exatamente o mesmo perfil de profissionais que ocupam os cargos de gestão, as grandes bancas de escritórios e os cargos públicos. Neste sentido, é necessário refletir como inovar e traduzir um cenário jurídico complexo se os atores possuem a mesma etnia, orientação sexual, gênero e forma de pensar?

Já Daniel Becker, ressalta como quarto ponto importante a educação jurídica. “Os advogados são treinados para um mercado que não existe mais e acabam sendo vítimas de sua própria profissão. Muitos acreditam que vão sair das instituições de ensino preparados para a vivência prática e acabam encontrando uma realidade diferente da que foi apresentada na graduação”, diz.

O quinto ponto elencado por ele é a justiça aberta. “Significa que a justiça deve ser efetivamente investigada, legível e estruturada do ponto de vista informacional. Para isso, precisamos de acesso a dados. Não há como testar, revisitar e depurar dados sem a permissão e facilitação de sua coleta. Enquanto todas as indústrias orientam-se por dados, o jurista segue trabalhando em um formato centenário, onde, na ausência dos dados, grande parte dos prognósticos são feitos com base nas regras da experiência”, lembra. “Como incentivar um advogado a tomar decisões baseadas em dados, se os tribunais em sua maioria, à revelia da publicidade, tratam seus dados em uma caixa preta?”, indaga.

Nosso convite é fazer com que os advogados reflitam sobre esses questionamentos. É papel dos mais experientes a ajudarem o novo mercado que se forma para o cenário de disrupção que os novos modelos de negócio trazem. Vale lembrar que não existe uma fórmula ou receita pronta para o sucesso.

“Até dominarmos as diferentes novidades que estão sendo apresentadas ao mercado, iremos observar excessos em petições com Visual Law, confundiremos conceitos de inteligência artificial, quebraremos a cabeça em soluções de automação e não nos lembraremos que métodos ágeis podem garantir mais produtividade”, lembra Paulo Samico.

Diante das novidades e da aceleração de um mundo que clama por transformação, inovação e aceleração, muitas mudanças são implementadas e tem seus resultados aferidos com base no experimentalismo. O conselho que eles deixam é claro: “Seja um advogado ou advogada mais reticente ou adepto às inovações, paute sempre sua conduta para e pela tecnologia, porque o relógio não para. O futuro chegou para a sociedade e ela precisa de advogados na mesma sintonia”.

Por Rafael Angeli
@eurafaelangeli

tag: transformação

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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